sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Zagueiros, vale a bola na mão?




Por Matheus Valença Correia 
 
  A renúncia do papa Bento XVI trouxe à tona uma série de rachaduras na estrutura da Igreja do Vaticano. Escândalos como o “Vatileaks” (divulgação de documentos confidenciais da Igreja) e o abafamento das denúncias de pedofilia envolvendo sacerdotes refletem a situação delicada pela qual a instituição religiosa passa atualmente. O papa, contribuindo incessantemente para a corda bamba do catolicismo, reiterou um discurso conservador, atacando métodos anticonceptivos, proibindo ordenamento de homens (só e somente homens, cabe aqui a observação) que “apoiem a cultura gay” e o histórico repúdio ao casamento gay. 
  Como consequência, nos anos do seu pontificado, o papa enfrentou uma estagnação no número de católicos no planeta. No Brasil, especificamente, há um declínio considerável mostrado pelos últimos censos do IBGE: a população protestante e sem religião cresce. A postura de sua Santidade é responsável por muito disso. A sociedade adquiriu novos paradigmas. A ortodoxia Católica Romana não cabe mais em um contexto de liberdades individuais e reconhecimento de amplos direitos como hoje. Foi como aconteceu na minha infância. Nos tempos de “eu menino”, em partidas de futebol no colégio, tentei (de forma inocente, talvez em uma atitude de amor ao handebol) impor uma nova regrinha para os meus colegas. Jogador assíduo na defesa, defendi veementemente a tese de que o zagueiro, assim como o defensor da barra, tinha todo o direito de segurar a “pelota” com as mãos e, assim, defender honrosamente o seu time.
  Os meus colegas estranharam e protestaram muito a respeito. Apesar de estarem na primeira série do ensino fundamental, tinham certa noção daquele esporte. Aquela nova regra, antiga no meu inconsciente, não se aplicava àquela realidade. O conjunto dogmático da Igreja funciona de maneira similar: funciona perfeitamente na mente de líderes religiosos estagnados na Idade Média, propostas que não cabem no nosso tempo. Se “o passado é lição para se meditar”, Mário, meditemos. Não nos deixemos cair em um passado de discriminação e intransigência, o planeta avança para melhor, não podemos retroceder. Recebi uma bola direto na cabeça como resposta à minha proposta inovadora no futebol. O papa também, mas o chapéu mexicano aparentemente escondeu a pancada.



Fonte da imagem: http://www.ionline.pt/sites/default/files/imagecache/iarticle_photo_400x225/imagens/papa-no-mexico.jpg


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