Nas últimas décadas do século XIX, um novo movimento artístico se configurava na França. Na pintura, recebeu o nome de Impressionismo. Na literatura, o simbolismo, que surgia contra a forte objetividade encontrada na arte do período, "em socorro à criatividade humana tão pouco requisitada na época", em tempos de Segunda Revolução Industrial.
Um dos nomes marcantes dessa estética foi Stéphane Mallarmé, um francês que buscava expressar a sugestão e a imprecisão em sua obra. Segundo ele, "o gozo do poema é feito da felicidade de adivinhar pouco a pouco". Talvez essa felicidade seja compartilhada pelos cientistas.
A cada descoberta, a ciência desvenda um pouco do Universo em pequena e grande escalas. Tudo bem que não consiste de "adivinhação" tão somente, mas são imensas as hipóteses que jorram, por exemplo, na física moderna. Buracos negros, estrelas de nêutrons, partículas inferiores a um elétron, supercondutores, antimatéria... Muitas das fenomenais descobertas da física no século XX já não se constituem de sonho de "Sci-Fi", mas como ortodoxias da ciência.
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| Mallarmé, feliz por ser citado no post do blog. |
Assim como o simbolista francês, a ciência parece "sugerir o mundo", com suas teorias de descrição de fenômenos que talvez não correspondam exatamente ao que ocorre; mas que, numa abordagem positivista - como o faz o físico Stephen Hawking -, adequam-se às observações e nos permitem trabalhar para promover modelos que se aproximam cada vez mais da realidade. Um nobre exemplo é o da Teoria da Gravitação de Isaac Newton, que correspondia com maestria às observações, porém não explicava a essência da gravidade: a deformação que os corpos causam em um "tecido", o espaço-tempo, o que seria explicado pelo nosso querido Einstein.
Stéphane Mallarmé morreu em 1898 e não concluiu o que ele pretendia que fosse "a Grande Obra" de sua vida, um projeto de criação nova e que seria "sintonizada com o universo". Há espaço para uma "grande obra" na ciência? Físicos buscam a "teoria de Tudo", papel que cabe atualmente à "teoria" de Cordas (na verdade, ainda uma hipótese). Será possível unificar a ciência para uma explicação generalizada do universo? Talvez a grande obra da ciência seja constituída por ela própria. Um verdadeiro leque de contribuições,
"Tendo como por linguagem
Abanando e olhando ao céu, prosseguimos com a intrigante aventura a qual a ciência se constitui. Em linguagem universal e com contribuição de todos,
Stéphane Mallarmé morreu em 1898 e não concluiu o que ele pretendia que fosse "a Grande Obra" de sua vida, um projeto de criação nova e que seria "sintonizada com o universo". Há espaço para uma "grande obra" na ciência? Físicos buscam a "teoria de Tudo", papel que cabe atualmente à "teoria" de Cordas (na verdade, ainda uma hipótese). Será possível unificar a ciência para uma explicação generalizada do universo? Talvez a grande obra da ciência seja constituída por ela própria. Um verdadeiro leque de contribuições,
"Tendo como por linguagem
Só este abanar ao céu"*
Abanando e olhando ao céu, prosseguimos com a intrigante aventura a qual a ciência se constitui. Em linguagem universal e com contribuição de todos,
"Para sempre ele apareça
Em tua mão que não cessa"*
Na mão da humanidade, ávida por conhecer, pouco a pouco, a maior das obras-primas, o Universo. Ou universos?
* Retirado do poema "Leque", de Mallarmé.
Fonte da imagem:
https://www.7letras.com.br/media/autor/St%C3%A9phane%20Mallarm%C3%A9%20-%20foto%20%20copy%20menor.jpg
Outras fontes consultadas:
http://rosabe.sites.uol.com.br/simbol.htm
http://www.beatrix.prop.br/index.php/stephane-mallarme/
